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A Romênia : um milagre histórico

A Romênia é uma espécie de "milagre histórico": como esse povo de origem latina resistiu às inúmeras invasões e manteve sua identidade, uma vez que ainda se encontra isolado no meio dos Eslavos e dos Húngaros?

A Dácia, ancestral da Romênia, foi antes de tudo uma das províncias mais prósperas do império romano, denominada "A Dácia feliz". Os Dácios eram, segundo o historiador Heródoto, "Os mais valentes habitantes da Trácia". Atraído pelas minas de ouro desta região, o imperador romano Trajano conseguiu submetê-la em 106 D.C. A população Dácia se apropriou dos valores da civilização romana: a mistura étnica resultante fez surgir o povo romeno e a língua romena. Os Romenos se vangloriam hoje de falar a língua latina mais pura! Os primeiros sinais de uma civilização cristã surgiram no delta do Danúbio, onde santo André foi evangelizar as populações locais. Após a retração das tropas romanas em 275, sob a pressão das invasões bárbaras, houve um longo período de instabilidade até o século X. Os Romenos se refugiaram então em lugares recuados dos Cárpatos, o que lhes permitiu preservar sua identidade. Como cristãos, eles se separaram da Igreja Romana durante o grande cisma de 1054, que vai fazer surgir a Igreja Ortodoxa ("opinião correta" em grego).

Igreja fortificada de Biertan edificada pelos colonos alemães no século XV

No século XI, para defender as fronteiras a Leste, os reis da Hungria enviam à Transilvânia, no coração da antiga Dácia, colonos alemães e cavaleiros da Ordem Teutônica, que ali constróem magníficas cidades e igrejas fortificadas, deixando uma marca cultural profunda nesta região.

Somente no século XIV é que as 3 grandes regiões históricas da Romênia constituem 3 países por inteiro: Transilvânia, Moldávia e Valáquia. Após a tomada de Constantinopla em 1453, os Turcos ameaçam as províncias romenas. Mas as tentativas dos Turcos encontram a feroz oposição dos voïvodes (senhores) dos 3 países romenos. Eles se tornaram então uma defesa vigilante contra a onda de Turcos na Europa, Uma das mais célebres figuras romenas desta resistência é o voïvode Vlad Tepes (O Empalador), herói nacional que se recusa a pagar tributo aos Otomanos e rejeita o invasor com seus métodos muito brutais. Ele inspirou o personagem Drácula, inventado no século XIX pelo escritor inglês Bram Stoker. Vlad Tepes era filho de Vlad Dracul (o Dragão). Os Turcos conseguiram, entretanto, mais tarde impôr sua influência aos países romenos. No século XVIII esta influência diminuiu, mas os Habsburgos e os Tzares disputam entre si os principados romenos.

Envolvidas com as grandes correntes nacionalistas do século XIX, a Moldávia e a Valáquia conseguem rejeitar qualquer tutela e se reúnem em 1859 num único estado romeno, principalmente graças ao apoio político da França. Em 1918, no fim da 1ª Guerra mundial, a Transilvânia, que tinha sido anexada pela Hungria, volta à "Grande Romênia" em 1º de dezembro, que desde então é o dia da festa nacional.

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