A Romênia : Testemunho de Paule
"Essa viagem me dá uma nova esperança"
Meu marido Jean-Claude e eu chegamos à Romênia pela primeira vez alguns meses após a queda de Ceausescu, através de uma O.N.G. que se ocupava entre outras coisas dos "Camin Spital", esses hospitais-orfanatos que recolhiam crianças abandonadas e deficientes.
Nesses "Camin Spital", voluntários estrangeiros eram encarregados de dar suporte à logística de trazer comida, roupa e material que eram muito escassos e também de separar as crianças para tranferi-las a centros especializados. Essas crianças viviam juntas, independente da idade e da deficiência: cegos, surdos, débeis profundos e leves, além dos que não podiam mais se mover. Mas, no mais profundo dos horrores, essas crianças desfavorecidas tinham conseguido criar entre si um tipo de família.
O pessoal romeno fazia o que podia, mas os Romenos tinham tão poucos recursos que não compreendiam que se pudessem dar a esses órfãos o que seus próprios filhos tinham necessidade e as roupas eram regularmente roubadas.
Jean-Claude e eu tínhamos por missão rezar e harmonizar os animadores desta O.N.G., pois isso lhes dava a força para resistir frente à desesperança e ao sofrimento. Pouco a pouco outros membros do IVI vieram trazer reforços.
Harmonizávamos poucos romenos, e dos 2 únicos grupos de oração que puderam se abrir, um deles era um grupo que reunia os membros de uma mesma famíilia, o outro era um grupo de amigos; nesta época não era considerado bom reunir pessoas que não se conheciam, o medo da delação era demasiado forte. Talvez devido a esses laços, o trabalho de um grupo de oração não pôde ser feito em profundidade.
Hoje os grupos não existem mais. Dos mais velhos, alguns partiram para o Pai; os que estão na força da idade, se esgotam no trabalho para obter rendimentos mais de acordo com o custo de vida. A mais jovem, Maria-Luisa, cujo objetivo era sair de seu país, veio trabalhar na França em informática e pediu a naturalização francesa.
Durante meses não acontecia mais nada na Romênia em relação ao IVI, de repente nossas visitas se tornavam cada vez mais raras e o moral caía... No que me diz respeito, a culpa se instalava e enfiar a cabeça na areia como fazem os avestruzes me convinha perfeitamente.
Essa viagem me dá uma nova esperança e uma nova motivação para rezar pela Romênia e, com a ajuda de Deus, abrir um novo grupo de orações. Obrigada a nossos amigos búlgaros por terem vindo tão numerosos com sua alegria, sua generosidade e sua energia para transmitir a essa terra romena este amor que ela tanto precisa.
Paule
