Peregrinacoes

Maio de 2010

“Férias” na Grécia!

Assim como em minhas numerosas viagens ao Oceano Pacífico, gosto de compartilhar o cotidiano de meus amigos de Convite à Vida. Encontrá-los em suas casas pelo menos para tomarmos um café ou comermos uma refeição. Obrigada a todos e todas que um dia me abriram suas portas, vocês me ajudaram a abrir as minhas... Então eu decidi partir por uns 10 dias para Atenas.

Eis-me impelida, uma vez mais, na informalidade da vida, radiante por ver que esta impulsão reanima, como brasas sob as cinzas, o coração de uma dezena de membros do IVI de Atenas. Espontaneamente, eis que vêm ao centro da associação rezar, harmonizar, vibrar e ser escutados...

Deixar-nos levar sem nada planejar

Sobre a ilha de Egina (a 1h de barco de Atenas), sete de nós passamos alguns dias na casa da presidente do IVI na Grécia. Ali nós nos entregamos sem planejar nada, passando de um rosário matinal aos velhos canais dos anos 60/70; expressando, enquanto lavávamos a louça,fillesdeguisees ou preparávamos uma refeição, trechos de nossas vivências ou manifestações de ternura. Passamos sem hesitar de um banho de mar a uma harmonização, ou ainda de histórias fúteis à apresentação do IVI, suas "3 chaves", para amigos da família também presentes... os dias ficaram cada vez mais ricos e as noites cada vez mais curtas... cada um se oferecia, pouco a pouco, a um melhor conhecimento de si mesmo e dos outros.

Com humor e leveza, tentei esclarecer da melhor forma possível o que estava nebuloso para eles, apoiando-me no meu terreno predileto: o concreto, o tangível do instante. Não havia um horário estabelecido, nem reunião com "objetivos" que, para eles, subentendesse ainda uma exigência de resultados! Nós nos entregamos ao longo dos encontros, das situações e das necessidades de cada um e dos da dona da casa...

Compreendendo que não têm poder sobre os atuais acontecimentos na Grécia, após o plano de austeridade imposto pelo governo, mas unicamente sobre si mesmos, e que é da sua própria responsabilidade se tornarem ou não vítimas, a descontração de cada um foi perceptível! A tarefa se tornava mais acessível, menos esmagadora. As inquietudes, os sentimentos de injustiça, os medos de passar privações ou qualquer outros rancores se transformaram em paz e alegria, deixando subir do fundo de seu coração a esperança de sua transformação e de um outro futuro.

couchersoleilUma felicidade sem cogitação, simples e fluida, pela qual eles puderam aderir ao princípio da construção de sua própria bolha de paz e de doçura a serviço de todos os que constroem suas vidas!

A oportunidade que eu me dou de querer me modificar

Minha última viagem à Austrália, Vanuatu, em janeiro de 2010, tinha me fortalecido nesta confiança de "servir" sendo eu mesma, permitindo com que eu me abandonasse à doçura de viver além de qualquer "utilidade". Levada a me defender de uma única responsabilidade: a de responder por mim, pelos meus pensamentos, pelos meus desejos e sentimentos! Uma vez mais Deus me deu 10 dias a seu serviço, numa intensa unidade de todo o meu ser. Minha vida é bela, cada vez mais feliz e fácil... Ouso dizer-me isso! Eu o devo à oportunidade de poder ter acesso ao ensinamento do IVI, mas também à oportunidade que me dou de querer me modificar. Respeito e acredito nesta associação, mas nunca esqueço que o que contribuirá para que ela perdure é, antes de tudo, meu sim à obra da minha própria vida.

Se a Grécia é o último país pelo qual eu tinha uma atração, minha alegria é ainda maior, pois me sinto tão bem ali quanto no "meu" Pacífico!

Meu afeto e meu intelecto teriam, enfim, assinado uma trégua? Eu estaria começando a amar a mulher que eu sou?

Sixtine

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