Peregrinacoes

10 a 19 de agosto de 2010

9 Dias na Luisiana

Para auxiliar nossos amigos americanos profundamente atingidos pelo derramamento de petróleo nas águas do Golfo do México, IVI organizou uma viagem itinerante de nove dias na, cada dia sendo marcado por uma sessão de vibrações próximas às águas do Golfo.

LuisianaDaniela, Jean-Philippe, Marie-Jo, Christine e eu mesma fomos para New Orleans na terça, 10 de agosto. Ficamos dois dias no bairro francês, que foi poupado pelo Katrina. No dia seguinte à nossa chegada, percorremos os bairros mais atingidos pelo furacão. Triste espetáculo, essas casas abandonadas, com tábuas pregadas nas janelas, desocupadas... Rezamos, depois fomos para Houma, entrar em contato com a associação BISCO que ajuda todas as famílias de pescadores e a população que sofre com a maré negra. Assistimos uma reunião da qual participam igualmente alguns representantes da sociedade BP, e encontramos os responsáveis da BISCO. Sharon nos apresenta à assembleia e explica a razão da nossa presença: os aplausos vão direto ao nosso coração.

Partimos para New Orleans, onde encontramos duas pessoas do IVI-México e Brian, que voltou a viver na cidade depois do tornado.

A beira do Golfo, do lago, do pântano, do rio...

13 de agosto – Após um almoço suculento, tipicamente Cajun (na sobremesa os cheesecakes são uma loucura!), encontramos na catedral St Louis 4 membros do IVI-Washington e 2 do IVI da Flórida. Na catedral os vitrais contam a vida de St Louis, seu coroamento, suas cruzadas e sua morte em Túnis. Uma cópia da sua bíblia está ali exposta, o original se encontra em Toledo, na Espanha. Todos os dias nós fazemos uma sessão de vibrações junto à água.

albufeiras14 de agosto – com três pessoas do IVI-St Louis (que se juntaram a nós após 30 horas de carro!), uma de Dallas e uma de New Orleans, fomos fazer uma excursão nas lagunas, essas extensões de água formadas pelos antigos braços e meandros do Mississipi; as lagunas se estendem sobre todo o sul da Luisiana, formando uma rede navegável de milhares de quilômetros. Ali a natureza é esplêndida: as árvores, as flores, os crocodilos, os pássaros e sempre muita água... Depois do almoço, fazemos vibrações num lugar de recolhimento, “Lumini Christi”, próximo ao lago, onde somos rodeados de libélulas.

Lumini Christi

Aoencontro dos Cajuns e dos Ameríndios

15 de agosto – Nesse dia da festa da Assunção, assistimos a missa na paróquia Saint-Hilaire de Poitiers (muitas pessoas de língua francesa da Luisiana, os Cajuns, vêm de Poitou). A missa é em francês e, novamente, nossa presença é assinalada. O altar está decorado com instrumentos de trabalho da terra, da casa, tudo o que faz parte da vida dos Acadianos. As mulheres estão usando roupas tradicionais. É o bispo quem faz o ofício. Apesar dele só falar inglês, ele fará um grande esforço para dizer a missa em francês – com exceção da homilia. Na saída, nos servem doces e refrescos; muitos vêm nos agradecer por termos vindo rezar com eles e por eles. Eles nos contam suas vidas e estão radiantes de falar francês, pois quando estavam na escola, eram impedidos de falar sua língua materna. Partimos para uma sessão de vibrações na Grande Ilha, no próprio Golfo. Chove um pouco, depois um pouco mais e, ao nosso redor, vários instrumentos dos voluntários que vêm limpar a praia interditada, cobrem o solo. Um helicóptero voa sobre nós e nos vigia. Pelicanos voam ao nosso redor, três golfinhos nadam ao longe... a chuva parou.

16 de agosto – Depois da oração, partimos ao encontro de Roch, um padre indígena. Vamos fazer uma sessão de vibrações em sua casa, da qual ele participa com seu amigo Jim. Tudo se passa com naturalidade e simplicidade. A seguir vamos degustar um maravilhoso prato de caranguejos na casa de Jim e de sua mulher Nancy. Somos intimados à oração do rosário do grupo Chevaliers du Lundi (Cavaleiros da Segunda-feira), composto apenas de homens. Nós nos apresentamos e falamos do IVI, como cada um contribui. O silêncio é sagrado... E então estoura uma forte tempestade, impressionante, mas finalmente retornamos sãos e salvos! 

17 de agosto – Partida sob a chuva, para a plantação. Laura, uma maravilhosa guia, nos conta a vida dos homens e das mulheres escravas, suas condições de trabalho... Nos fala das histórias de família, da inveja, do poder, da crueldade...

18 de agosto – Encontramos uma comunidade de Ameríndios em Dulac, que fundou uma escola para suas crianças : durante anos, as crianças e os jovens não tinham acesso ao ensinamento. Jaimie nos fala do seu sonho de criar uma escola onde ela poderia transmitir toda a cultura ameríndia, o conhecimento das plantas, a língua dos Houmas, danças, medicina... Sociedades e ONG enviam voluntários para ajudá-los. Depois do almoço, nós partimos com John e Doris, a mamãe de Jaimie, para fazer vibrações nos pântanos. Eles rezam o terço conosco. Mais uma vez nós vamos transpirar muito, mas para nos refrescar os anjos sopram um vento leve, doce e quase fresco: temos de lhes agradecer! É importante saber que a cada 38 minutos esta região do país Cajun perde terras do tamanho de um terreno de futebol. As árvores morrem, porque a água salgada  invade os pântanos, os furacões destroem as casas que os habitantes reconstroem sem cessar. Quase todos são pescadores. Eles nos agradecem e nos pedem para voltar muito em breve.

19 de agosto – dia da partida, Audrey George que nos hospeda, nos oferece seu canto de adeus, seus olhos estão úmidos...  Nós nos dirigimos ao aeroporto e encontramos um lugar para nossas últimas vibrações, num vilarejo chamado “Os Alemães”. Há exatamente cinco anos, Katrina devastava a região. Depois, cada um de nós se dirige a seu próprio destino. Um homem da alfândega, que nos observa há um certo tempo, nos olha sorrindo e nos diz : “Love is in the air”!

  Os Alemães

Partilhas feitas com toda a liberdade

Durante esta viagem itinerante, cada membro tinha sua participação. Foi excepcional fazer a experiência todos os dias, por nove dias, das “três chaves”, bases fundadoras do ensinamento do amor de Yvonne. Experiência que fez com que abríssemos ainda mais nossos corações nessas terras. Os momentos de vida compartilhados com todos os Americanos, Cajuns, Ameríndios, foram momentos de uma grande autenticidade e simplicidade. Estávamos na escuta, interessados pelo que eles vivem, e eles mesmos à escuta do que somos e do que fazemos. Eles desejaram vibrar, rezar e ser harmonizados. Que liberdade nessa partilha! Eles esperam que voltemos em breve junto a eles e ficaram muito tocados ao ver que pessoas da França, do México e de várias cidades dos Estados Unidos vinham de tão longe para rezar com eles, compreender seus problemas e vibrar pela água. Alguns de nós sentiram a ressonância entre a sua própria história e a história da terra sobre a qual vibramos. Sinal humorístico: nós estávamos rodeados por água (oceano, rio Mississipi, pântano, albufeiras, lagos, rios) e a chuva vertia litros de água, sem por isso podermos mergulhar deliciosamente neste frescor. Felizmente, a chuva quase cotidiana nos consolou.  

Dormíamos na casa do habitante, nosso desejo era ir ao encontro das pessoas de fora da nossa associação. Audrey e sua irmã Maudrey nos preparavam cafés da manhã pantagruélicos diferentes todos os dias! Audrey preparava nossas excursões, fazia contatos para nós, nos aconselhava quanto aos lugares de vibrações : era ao mesmo tempo uma guia e uma verdadeira mãe para nós. 

Ela tinha dito para muitas pessoas que viríamos e, principalmente, o dissera na rádio local. Quando estávamos de saída nos restaurantes ou nos locais de vibrações, as pessoas vinham nos ver e nos pediam se éramos o grupo que vinha rezar pelo Golfo! Eles nos agradeciam pela nossa presença junto a eles.

Obrigada por todos os que nos apoiaram pela oração através do mundo durante esse belo périplo.

Michèle

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